Facebook perde US$ 121 bi na Bolsa, a maior queda diária da história

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A rede social tenta sobreviver às tempestades políticas criadas em torno de suas práticas de proteção da privacidade de dados de usuários

Após um balanço decepcionante, as ações do Facebook despencaram 18,96% nesta quinta-feira (26), levando a empresa a registrar a maior perda diária em valor de mercado para uma companhia na história de Wall Street.

Em um dia, o Facebook teria perdido cerca de US$ 121 bilhões (R$ 453,4 bilhões). O montante é quase igual ao valor da Nike (US$ 125,1 bilhões) e maior que gigantes como General Electric (US$ 114,2 bilhões) ou todo o mercado de ações argentino.

No ano, os papéis da rede social acumulam agora perda de 0,11% – até ontem, ganhavam 23,26%.

Com o mergulho dos papéis, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, sofre uma perda líquida de cerca de US$ 15,4 bilhões (R$ 57,7 bilhões) em seu patrimônio, o equivalente à fortuna da 82ª pessoa mais rica do mundo pelo ranking da revista Forbes, Eric Schmidt, ex-chefe executivo da Alphabet, dona do Google.

No ranking fechado de 2018, Zuckerberg ocupava a 5ª posição, com US$ 71 bilhões. Agora, caiu para 6º, com US$ 67,1 bilhões (R$ 251,4 bilhões).

O Facebook arrastou consigo o índice de tecnologia Nasdaq, com baixa de 1,01%, e contaminou também o ânimo de investidores da Amazon, que estão no aguardo da divulgação de balanço. Os papéis da varejista caíram 2,98%.

“Investidores que estavam tentados a manter a Amazon até a divulgação do lucro viram o Facebook e decidiram vender”, disse Jack Ablin, diretor de investimentos da Cresset Wealth Advisors.

A queda nas ações do Facebook ocorre após a empresa divulgar resultados trimestrais decepcionantes na quarta-feira (25).

No primeiro trimestre completo depois do escândalo da Cambridge Analytica, a receita total do Facebook cresceu 43%, para US$ 13,2 bilhões (R$ 47,5 bilhões), abaixo da projeção de consenso de US$ 13,4 bilhões (R$ 49,6 bilhões).

O ritmo de crescimento na base de usuários também desacelerou ligeiramente. Havia sido de 13% no segundo trimestre de 2017 e agora caiu para 11%.

Em comunicado, Zuckerberg disse que a comunidade da empresa e seus negócios crescem rapidamente. “Temos o compromisso de investir para manter as pessoas seguras e protegidas e para continuar a criar maneiras novas e significativas de ajudar as pessoas a se conectarem.”

Corretoras cortaram seus preços-alvo para o Facebook depois que executivos da companhia afirmaram, no entanto, que os custos de melhoria de recursos de privacidade dos usuários, bem como desaceleração nos maiores mercados publicitários, vão afetar as margens de lucro da companhia por mais de dois anos.

Os investidores vêm acompanhando com atenção se a campanha #deletefacebook afetou o crescimento da base de usuários da companhia, depois das revelações de um grande vazamento de dados para a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha de Donald Trump em 2016.

A consultoria obteve acesso a dados de 86 milhões de usuários da rede social sem o consentimento deles. Zuckerberg foi ao Congresso dos EUA responder a perguntas sobre o escândalo e passou a ser alvo de pressão de autoridades regulatórias em vários países.

As margens de lucro foram prejudicadas pelo aumento nos gastos, que inclui a contratação de milhares de novos moderadores para fiscalizar o site em busca de notícias falsas e de mensagens de ódio.

Alguns analistas afirmaram que os problemas do Facebook não serão facilmente resolvidos.

“Diferente da Netflix, cuja queda de resultado trimestral foi considerada como temporária, vemos aqui uma evolução na história, embora uma parte dela já esperássemos”, disse Daniel Salmon, analista da BMO Capital Markets.

Com informações da Folhapress.

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