MPPE une futebol pernambucano em campanha contra o racismo

Postado em 3 de novembro de 2017

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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançou, na última terça-feira 31, a campanha Diga Não Ao Racismo. Direcionada à conscientização das torcidas, jogadores e dirigentes de futebol de Pernambuco, a iniciativa conta com o apoio dos três grandes clubes da capital, da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e das Polícias Militar e Civil. No próximo sábado, quando Santa Cruz e Náutico se enfrentam pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, ambas as equipes entrarão em campo com o slogan estampado no uniforme. Os mascotes que acompanham os jogadores na entrada em campo estarão usando camisas da campanha.

Uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Discriminação Racial (GT Racismo), a campanha pretende levar informação e cobrar dos clubes o cumprimento da Lei Estadual nº 15.776/2016, que obriga os responsáveis legais pelos estádios de futebol no Estado de Pernambuco a fixarem placas, em locais de fácil visibilidade, com os dizeres “Diga Não Ao Racismo”. Nas redes sociais, os clubes já aderiram ao esforço e estampam em seus perfis os banners virtuais criados pela Assessoria Ministerial de Comunicação Social.

O lançamento da campanha ocorreu na sede do MPPE, na Rua do Imperador, no bairro de Santo Antônio, região central do Recife. “Infelizmente, nossa sociedade é racista. As pessoas não querem discutir o assunto com profundidade. Estamos focando na prevenção, mas, se for o caso, usaremos a lei com o maior rigor”, destacou o procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros.

Coordenadora do GT Racismo e idealizadora da campanha, a procuradora de Justiça Bernadete Figueiroa salientou que o racismo se configura de várias maneiras, entre elas de maneira institucional. “Quando o árbitro deixa de registrar na súmula uma expulsão ou advertência por causa de uma ofensa racista, por exemplo. Essa omissão se configura como racismo institucional”, reforçou. “O MPPE teve a coragem de falar abertamente sobre esse lixo da nação. O racismo não é problema apenas da população negra: é de toda a sociedade”, enfatizou Bernadete.

O presidente da FPF, Evandro Carvalho, afirmou que o combate ao racismo no âmbito do futebol pernambucano é um “compromisso” da entidade. “Nós e os clubes somos aliados do Ministério Público nesse projeto”, ratificou.

O presidente do Náutico, Ivan Pinto, realçou o fato de a campanha buscar conscientizar os torcedores. “Nós, como dirigentes, temos o dever de ajudar as autoridades. Se houver casos de desrespeito às normas, vamos contribuir para que os autores sejam punidos”, afirmou. O vice-presidente de Responsabilidade Social do Sport, Fábio Silva, lembrou que a sua própria função foi criada a partir de um compromisso da diretoria com as ações sociais. “A campanha terá todo o nosso apoio”, resumiu. Já o vice-presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, lembrou que o clube foi o primeiro a aceitar jogadores negros em seu plantel. “Somos um clube plural”, reforçou, explicando que o ídolo Grafite estava escalado para o evento desta terça, mas, por ter participado de uma ação da Fifa também no Rio de Janeiro, não pôde estar no Recife no horário. A assessoria do tricolor garantiu que o atacante gravará um vídeo para apoiar a campanha.

Falando em atletas, o goleiro titular do Náutico, Jefferson, marcou presença, ao lado da atacante da equipe feminina de futebol do Sport, Ari. “Nunca vi um caso de racismo, mas já fui alvo de insultos por ser nordestino. Isso é um absurdo e não pode continuar. Sinto orgulho de poder contribuir com essa ação do Ministério Público”, disse o atleta. Para a jogadora do rubronegro da Praça da Bandeira, o machismo é outra face vergonhosa do esporte. “Ações como essa são importantes. Para mim, como mulher e negra, é muito mais difícil”, lamentou a atacante, que já foi da Seleção Brasileira das categorias de base.

CLÁSSICO – Amanhã (04), durante o Clássico das Emoções, no Arruda, tanto Santa Cruz quanto Náutico entrarão em campo com uma faixa alusiva à campanha, com os dizeres “Diga Não ao Racismo”, além de usarem uniformes com o slogan estampado. O procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros, e a coordenadora do GT Racismo, Bernadete Figueiroa, já garantiram presença no estádio para acompanhar a primeira partida com a campanha em curso.



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