20 de Dezembro, 50 anos de emancipação. Uma síntese de 340 anos em 50.

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orocó 50 anosdaniel orocó“Na resistência reside à esperança, essa insensata. Só ela nos fará livres.” (Ernesto Sábato, escritor e pintor argentino).

Aaurora da liberdade de 20 de dezembro foi o auge da hegemonia do nosso povo. Um clamor que a muito tempo pulsava no coração destes simples sertanejos. Assim como a imperiosa serra buscou-se alcançar a apoteótica vitoria – a sua tão sonhada emancipação-.

Mas a luta do povo não se resume em apenas cinco décadas. Em nossas veias correm o sangue valoroso e forte dos Miles ET Bellator (soldados e guerreiros) das Ilhas, os nossos primeiros pais. Aqueles que não hesitaram em lutar até a ultima gota de sangue, pela sua tão amada terra.  Firmes e resistentes ao invasor cruel e sanguinário da Europa. Seu canto e batuque de tambores ainda podem ser ouvidos no som da cachoeira e na triste melodia da passarada.

Nossa história está enraizada na alma desta terra. Desde tempos imemoráveis, quando nas manhãs do século XVII se ouvia o sino das igrejas tocarem ao nascer do sol , nas ilhas deste opará (São Francisco). Para as laudas da manhã, ao som de cânticos e salmos que estremeciam as grossas paredes de São Félix. Terra marcada pela fé, semeada por tão longínquos missionários da antiga Gália. Homens que sob o lema “Ad Maiorem Dei Gloriam” lutaram pela defesa dos silvícolas a ponto de doarem suas vidas em favor da messe.  Eles já não existem nesse mundo, suas vozes foram caladas pela ação do tempo, mas ainda ecoa no inconsciente do povo o legado de fé e conhecimento Deixado por grandes soldados da companhia de Jesus.

Arrancados do seio da mãe áfrica, os negros aqui fizeram sua morada. Povo valoroso e forte resistiu corajosamente aos tenebrosos anos da maldita escravidão. Justificada com a desculpa do progresso e que os povos da Terra Mãe não tinham alma. Tempos sombrios, que só se ouvia o estalar do chicote e riso debochado do feitor levando os cativos para o trabalho forçado. O Brasil, e nosso povo deve muito respeito e reverencia a estes que construíram literalmente o país com as mãos e a força dos seus braços.

Todavia, em nossas artérias não deixa de ser presente a audácia portuguesa. e a intrepidez para descobrir e conquistar novos horizontes . A sede de grandeza está presente nesse gênese europeu, herdeiros da antiga Roma – tanto na língua quanto na fisionomia – filhos da guerra.

Nossa cidade é uma síntese de 340 anos em 50. Desde o primeiro contato de raças, credos e ideias, nós temos vivido um intenso processo histórico-social, que marcou a trajetória do então sitio e agora emancipada Orocó. Esse torrão de terra não seria o mesmo, depois daquele dezembro de 1963. Parecia um sonho tão distante, que se fez próximo. Já não dependíamos mais do velho burgo cabroboense, os lábios se encheram de canções jubilosas ao festejar a vitória.

É a Orocó da civilização do couro, do aboio estridente e penoso do vaqueirocantando a vida e lutas caatinga adentro, pelas serras e veredas deste vasto sertão.

É a terra da festa Gloriosa de Janeiro, do excelso padroeiro São Sebastião. Tempo para renovar a fé em Deus e pedir chuva para matar a sede do povo nordestino, e pedir paz para o mundo.

Janeiro é o natal do Orocoense.  Expressão não só de fé, mas de enorme valor histórico e cultural, que desde 1888 está presente no cotidiano da tantas gerações. Terra do império da cebola, lugar de prosperidade e fartura, que na linguagem do matuto “não se morre nem de fome, sede ou queda de rede”.

É lindo contemplar o raiar de um novo dia na serra linda. que do alto aconselha aos seus filhos:

-despertem a “força da Potência” (Nietzsche) que está adormecida em vocês!

É a Orocó das feiras de segunda, das danças de São Gonçalo, e do gingado do povo quilombola.

Uma cidade marcada pelo profícuo trabalho da educação, pela garra dos professores e alunos que acreditam em dias melhores, passando de meros espectadores a grandes protagonistas da mudança social. Seguindo o lema “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” Pitágoras, filósofo (Grécia Antiga).

Enfim, este é o nosso amado lugar, nossa terra mãe. Devemos honra-la e se possível morrer como corajosos soldados, envoltos na bandeira pela defesa da cultura e da tradição! “Ai quem me dera eu morrer naquela serra, abraçado a minha terra dormindo de uma vez, ser enterrado numa grota pequenina onde a tarde a sururina chora a sua viuvez”.

Viva o nosso cinquentenário município! Com cantos de jubilo celebremos tão importante acontecimento em nossa cidade, lutando pela conservação do nosso patrimônio material e imaterial do povo, para que não nos tornemos uma sociedade aculturada e sem identidade. Agradecer ao bom Deus, e aqueles que deram sua vida por amor a pátria querida.

Que nossos feitos e façanhas sejam conhecidas e eternizadas na história da humanidade, desde a Oiapoque ao arroio Chuí, e não por onde quer que vá batermos no peito e dizermos que somos Pernambucanos de Orocó!

Daniel José – Pedagogo, Estudante de Pós Graduação em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica

Danielsom José – Seminarista da Diocese de Juazeiro da Bahia

IRMÃOS E OROCOENSES COM ORGULHO.

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