Em encontro com Haddad, Lula dá diretrizes a secretários

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Um dia depois de retornar de férias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou ontem reunião com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e parte do seu secretariado, e expôs o que espera da gestão do homem que escolheu para governar a capital paulista. 
Na mesa de reuniões do gabinete de Haddad, sentou-se por uma hora entre ele e a vice-prefeita, Nádia Campeão (PC do B). Convidados na véspera para o encontro, 11 dos principais secretários da administração petista ouviram diretrizes de Lula. 
“O presidente voltou de viagem, me ligou e pediu para nos encontrarmos. Eu o convidei para vir à prefeitura e ele se colocou à disposição”, disse Haddad. Ele resumiu o encontro como uma “visita de cortesia”. 
Além do prefeito, a Folha ouviu relatos de outros quatro participantes do encontro. Segundo eles, o ex-presidente elencou questões que vê como prioritárias na gestão, como o combate a enchentes e políticas sociais municipais que ajudem a diminuir as chacinas. 
Os números mostram uma escalada da violência nos últimos meses. Foram 24 chacinas em 2012 e duas nos primeiros dias deste ano. 
Os índices de criminalidade levaram o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, a trocar o comando da Secretaria da Segurança Pública em novembro passado. 
Segundo o prefeito, Lula “insistiu” na importância de a prefeitura buscar parcerias com o governo estadual. 
“Ele insistiu para que levássemos também muito em consideração o governo do Estado, fazendo referência à experiência no Rio”, disse Haddad. 
Outra diretriz dada por Lula foi replicar na capital paulista o modelo de consulta popular adotado por ele em sua passagem pelo Planalto: as conferências temáticas. 
Segundo o ex-presidente, os encontros para discutir áreas como saúde, educação e cultura deveriam ser realizados nas 31 subprefeituras. 
O ex-presidente também demonstrou preocupação com a manutenção do poder em São Paulo. Afirmou que o principal objetivo da equipe de Haddad deve ser “sair maior do que entrou”. 
Alçado ao Ministério da Educação em 2005, Haddad foi a aposta de Lula para vencer a resistência de parte do eleitorado paulistano ao PT. 
No discurso da vitória, Haddad, que nunca havia disputado uma eleição, ironizou a própria trajetória e disse ser o “segundo poste do Lula”, em referência à presidente Dilma Rousseff, também feita candidata pelo petista. 
Lula também já agendou reunião com a presidente para discutir gestão de governo. O encontro está marcado para o dia 25. Devem participar ministros e dirigentes do PT, que repassarão os projetos estratégicos e uma agenda de viagens presidenciais. 
DIÓGENES CAMPANHA E PAULO GAMA

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