Tragédia em Santa Maria (RS) – Repercussão – Solidariedade ou Sensacionalismo?

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É comum durante acontecimentos como catástrofes naturais, guerras, acidentes aéreos, descobertas e avanço de epidemias, desabamentos, etc. constituir-se um grande elo de correntes informativas. A imprensa, cada vez mais bem preparada, em contato com a informação imediata, passa a buscar mais e mais fatos, relatos, provas reais que possam tornar a reportagem atrativa a ponto de tornar exclusivos os dados. De fato, há um grande interesse da população que ler jornal, assiste telejornais enfim, se utiliza desses meios de comunicação para terem ciência de acontecimentos agradece e é valido o tramite dos dados até por uma questão de utilidade publica afim de que possíveis prevenções passem a ser cuidadosamente tomadas no intuído de evitar novas tragédias. As noticias que compõem as reportagens trazem em seu conteúdo detalhes adquiridos nos mais cautelosos procedimentos de busca de informações.
O acontecimento trágico que repercutiu neste Domingo (27) tomou conta do noticiário Local, nacional e internacional. A cidade de Santa Maria no estado do Rio Grande do Sul, consternada pelas vidas ceifadas através da fumaça produzida por um incêndio acidental em uma boate passou a ser alvo de repercussão em todos os noticiários. Todas as redes de televisão passaram a buscar informações precisas, imagens de qualidade, vídeos amadores, que apresentassem a situação de um momento tão critico, em que viveram as centenas de jovens que se encontravam no recinto naquela madrugada de “horror”.
Nas redes sociais os usuários passaram a emitir publicações de enfoque ao assunto, fotos até mesmo de cenas reais apresentando corpos parcialmente carbonizados na busca de chocar e sensibilizar os assíduos freqüentadores das comunidades virtuais. Não demorou muito para que surgissem os primeiros chamados “links” ou “posts” contendo a honrosa e solidariedade expressão “LUTO”. Aos poucos se multiplicaram as postagens que traziam frases de familiares das vítimas e sobreviventes que transferiam a comoção daqueles que enfrentam o momento de dor de perder um ente querido.
O que se pode ver é que há mesmo um interesse geral da população em saber cada detalhe “macabro” dos momentos de terror passados por aqueles jovens transferi-los imediatamente ao próximo que já está à espera da informação para cessar a vontade de saber mais. Percebe-se também que é grande a mobilização em busca de ouvir pessoas que tragam novidades, em saber como alguém se comportou ao enfrentar a situação, em conhecer os reais fatos que levaram a tragédia. Toda essa mobilização acaba escondendo o que mais existe dentre grande parte dos seres humanos que é o mínimo de solidariedade e a mais completa busca por sensacionalismo. É fácil despertar para perguntas: Por que querer saber tanto se o mais terrível é ter a certeza que um ser humano perdeu a sua vida e deixou órfãos familiares de enxergarem seus sorrisos para sempre?
Para alguns a contabilização dos corpos, os dados numéricos da tragédia acaba se tornando mais importante do que as lágrimas daqueles que sofrem a perda do ente querido.
A real e verdadeira ação do ser humano solidário deve acontecer no mais silencioso espaço fechado. É aí que cada um deve usar de suas crenças e fazer suas orações pelas vítimas e pelos familiares que necessitam de conforto espiritual.
Vendo toda essa repercussão da imprensa e das redes sociais vem à mente uma frase de um postulante ao cargo de Prefeito numa certa cidade que dizia: “diante do comportamento da população de hoje em dia, a primeira ação de um prefeito é construir o necrotério em praça pública”.
Por: Espedito Novaes.

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