Meu filho não era de facção nenhuma’, diz pai de garoto retirado de abrigo e morto em chacina

Postado em 14 de novembro de 2017

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Vítimas tinham sido transferidas há pouco tempo para o Mártir Francisca. Um deles chegou à unidade na sexta-feira passada (10)

O pai de um dos meninos retirados à força do centro Mártir Francisca, em Fortaleza, e morto na rua afirmou que o filho não pertencia a facções criminosas. ”Meu filho não fazia parte de facção nenhuma”, disse. “Meu filho não estava em festa, nem em bar, a mãe dele entregou ele à mão da Justiça. Então, eu quero Justiça, eu sou um cidadão”, afirmou.

Segundo o pai, o jovem foi preso ao ser flagrado com uma motocicleta roubada. O centro ficará fechado por um mês e foi invadido por grupos rivais aos de bairros de onde os internos eram provenientes, segundo o juiz Manoel Clístenes, da 5ª Vara da Infância e Adolescência. Na madrugada desta segunda, homens armados invadiram o abrigo e mataram quatro adolescentes.

Uma outra vítima tinha apenas 13 anos e estava na unidade há um mês, também segundo o pai. O adolescente morava em um bairro da zona oeste da capital. No regime de semiliberdade do centro, podia ir para casa nos feriados e fins de semana. Ele tinha uma tatuagem nos dedos que fazia referência a uma facção criminosa, mas o pai disse não saber porque o menino desenhou os números. Foi “levado para essas coisas pelos amigos”, disse. Os criminosos divulgaram a foto do adolescente momentos antes de executá-lo e a imagem se espalhou nas redes sociais.

Na recepção do Instituto Médico Legal (IML), familiares dos jovens aguardavam o momento do reconhecimento dos corpos. Entre lágrimas, a mãe de uma das vítimas, um adolescente de 16 anos, lamentava a forma como o filho morreu. “Sabia que um dia meu filho ia ser tirado de mim, mas não precisava ser dessa forma.”

Invasão e morte

Um bando armado com metralhadoras invadiu o centro durante a madrugada, retirou seis jovens e matou quatro deles. Os corpos foram encontrados na Rua Firmino Ananias, nas proximidades do centro. Conforme o juiz Clístenes, internos e familiares haviam relatado ameaças de invasão por criminosos do bairro. O Governo do Estado foi alertado sobre essas ameaças, segundo Clístenes. O juiz disse ainda que o alvo dos invasores havia fugido da unidade no sábado.

Atividades suspensas

A Justiça suspendeu as atividades do centro Mártir Francisca por 30 dias. O estado deverá apresentar em 15 dias um plano que assegure a integridade física dos jovens e, somente após a aprovação do plano, o centro poderá voltar a funcionar. Uma reunião discutiu no Palácio de Iracema na tarde desta segunda-feira (13) a chacina no centro.

Participaram da reunião a Coordenadoria da Infância do Tribunal de Justiça; o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Infância e Juventude (Caopij); a 7ª Promotoria da Infância e Juventude; o Núcleo de Atendimento Jurídico Especializado ao Adolescente em Conflito com a Lei (NUAJA/Defensoria Pública); o juiz titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza e a representantes da Superintendência Estadual do Sistema Socioeducativo e do Gabinete da Vice-Governadoria.



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